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O mundo em crise e o Oriente Médio

Essa matéria foi publicada na Edição 429 do Jornal Inverta, em 29/10/2008

Que elementos novos, presentes na conjuntura do Oriente Médio, podem ser levantados nesse momento de agravamento da crise capitalista? Compreender o que se passa nessa região tem relevância, porque sabemos que trata-se, juntamente com a América Latina, de área estratégica nos planos do imperialismo.

O mundo em crise e o Oriente Médio

Mostra da resistência do povo palestino

O mundo em crise e
o Oriente Médio

 

Que elementos novos, presentes  na conjuntura do Oriente Médio, podem ser levantados nesse momento de agravamento da crise capitalista? Compreender o que se passa nessa região tem relevância, porque sabemos que trata-se, juntamente com a América Latina, de área estratégica nos planos do imperialismo.

Os 60 anos de luta do povo palestino contra a ocupação de seu território pelas tropas do Estado de Israel é o primeiro aspecto a se destacar. A criação desse Estado a serviço dos interesses imperialistas, em 1948, motivou as três guerras árabes-israelenses e o heróico movimento de luta pela libertação nacional do povo palestino. Mesmo com as derrotas árabes e o genocídio que tem sofrido, o movimento palestino tem mantido sua luta com importantes manifestações de vigor, como a chamada revolução das pedras (intifada) dos anos 80, que recolocou sua luta no cenário internacional. A diáspora a que o povo palestino foi submetido, com milhares de refugiados na Jordânia, no Iraque, no Líbano e outros países, transformou sua luta de libertação em questão internacional, fazendo com que seus problemas afetem diretamente os vizinhos. Um exemplo da regionalização do conflito pôde ser visto no episódio de Gaza, quando, cercados pelas tropas de Israel, palestinos da Faixa de Gaza atravessam a fronteira egípcia em busca de alimentos e combustível. Hoje Egito e Jordânia manifestam temor que algum acordo da Autoridade Palestina com Israel deixe de fora o problema dos refugiados. Não há como os estados árabes fugirem do prolema palestino.

Esse fardo da luta contra o Estado de Israel é compartilhado em semelhante intensidade de sacrífico pelo povo libanês. Esses dois povos dividem o destino comum de enfrentarem tropas que se situam entre as mais poderosas do mundo. Invadido seguidas vezes, o Líbano sedia importantes núcleos dessa luta e permanece como modelo por sua composição étnica diversificada e possibilidade de convivência num mesmo Estado nacional. Impelir esses setores para a guerra civil foi e permanece como opção sempre recorrida por Israel. Recentemente, o assassinato do líder druso, Saleh Aridi, teve a clara intensão de turvar a possibilidade de reconciliação das diferentes facções políticas. As declarações que se seguiram bateram no mesmo ponto: a quem interessa jogar o Líbano novamente numa guerra fratricida?

Os cinco anos de resistência do povo iraquiano representam outra situação desconfortável para os interesses dos Estados Unidos na região. Dois pontos não podem deixar de ser lembrados: o governo estadunidense é responsável por um banho de sangue que ainda está longe de ter sido contabilizado, estima-se 1 milhão e 500 mil mortos, o que representa um genocídio à altura do nazi-fascismo no auge de sua política de terror. Trata-se de extermínio da população civil sem nenhuma dúvida, pois as forças guerrilheiras não atuam com unidades maiores que vinte combatentes e esses dados estão muito longe dos mortos em atentados, tão intensamente divulgados pela mídia burguesa com a clara intensão de omitir o genocídio. 

Na primeira guerra depois do 11 de setembro de 2001, a guerra contra o Afeganistão, a situação do imperialismo não é a desejável nos planos iniciais, de uma guerra rápida e fácil. A luta se fortaleceu nos últimos dois anos com a chegada de grupos oriundos do Paquistão que trazem tecnologia avançada e novos combatente para os exércitos talebãs. Os núcleos de combatentes nesse país têm desenvolvido uma estratégia bem sucedida de frustrar as intensões imperialistas e se fortaleceram depois do assassinato da candidata apoiada pelos EUA, Benazir Buto, e da saída  do presidente  Pervez Musharraf da chefia das forças armadas. Nos dois países, têm aumentado as dificuldades à ação militar dos Estados Unidos. Em maio de 2008, o número de soldados ocidentais mortos no Afeganistão chegou a 70, superando o total de 52, ocorridos no Iraque no mesmo mês.

Todos esses movimentos apontam para um quadro de crescente recurso à guerra por parte do imperialismo para sair dos impasses criados pela crise econômica que atravessa e que se agravou nos últimos dias. Deve-se esperar que a atmosfera, que as soluções tomadas para contornar a crise não seja diferente: mais concentração financeira vai acirrar a disputa inter-imperialista, colocando de forma mais premente a necessidade da guerra para reconstruir uma nova ordem dos escombros e do sangue. A luta dos povos, parcialmente vitoriosa, por se manter efetiva com todas as limitações e problemas, é a perspectiva da guerra para acabar com todas as guerras e dar início à revolução comunista.

 

Antonio Cícero Sousa

 

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