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Quem está por trás do Facebook?

Essa matéria foi publicada na Edição 425 do Jornal Inverta, em 09/07/2008

A rede social de Internet Facebook utilizada como ferramenta de comunicação, como o orkut, mais conhecido no Brasil entre os estudantes do mundo inteiro, principalmente dos EUA e Canadá, em que os usuários podem participar numa ou mais redes, em relação com sua situação acadêmica, seu lugar de trabalho ou região geográfica, na verdade, é uma arma militar de espionagem e desestabilização criada pelos setores mais extremistas de direita para captar informação dos usuários e os manipular com fins geopolíticos e estratégicos em que participam todos os 16 serviços de inteligência dos Estados Unidos, começando pela CIA, o Pentágono e o Departamento de Defesa. Tudo coletam e tudo guardam para os interesses imperialistas. Saiba mais neste artigo do Rebelión.

Quem está por trás do Facebook?


No dia 4 de fevereiro os meios de comunicação burgueses celebraram uma mobilização contra a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (FARC), destacando a espontaneidade da iniciativa, em especial porque foi originada de uma rede social de Internet chamada Facebook surgida para os estudantes norte-americanos. Diários como O País faziam questão de que tudo partia de um engenheiro civil de 33 anos “gênio da informática” e morador da cidade colombiana de Barranquilla. Sua ingenuidade apresenta-a assim o diário: «Até um mês não tinha tido mais participação na política de seu país que a de exercer seu direito ao voto. Chama-se Oscar Morais e trabalha no Serviço Nacional de Aprendizagem (SENA), uma instituição pública que adotou a rede social de Internet Facebook como ferramenta de comunicação entre os estudantes.

A partir de então se iniciou um novo questionamento: o que é o Facebook? quem está por trás desse projeto? é tão espontâneo como dizem? obedece só às iniciativas cidadãs sem nenhuma ideologia por trás? O Wikipédia apresenta-o como um lugar site de redes sociais. Os usuários podem participar numa ou mais redes, em relação com sua situação acadêmica, seu lugar de trabalho ou região geográfica.

O jornalista Tom Hodgkinson pesquisou-o e contribuiu para que conhecêssemos melhor mais essa “maravilha”. O Facebook afirma ter 59 milhões de usuários ativos, incluindo 7 milhões no Reino Unido, o terceiro cliente por seu tamanho o Facebook após os EUA e Canadá. Segundo Hodgkinson seriam 59 milhões de ingênuos os quais ofereceram sua informação do cartão de identidade e preferências de consumo a um negócio estadunidense do qual não sabem nada. Nestes momentos mais dois milhões somam-se a cada semana. A este ritmo o Facebook terá mais de 200 milhões de usuários ativos no próximo ano. Entre os grupos de usuários temos “Um milhão de vozes contra as Farc”, que tem 130.000 inscritos, “Mil pessoas que odeiam Hugo Chávez” só para termos uma idéia de sua linha ideológica.

Segundo uma fonte especializada que pediu o anonimato, foi descoberto que o Facebook é uma arma militar de espionagem e desestabilização criada pelos setores mais extremistas de direita para captar informação dos usuários e os manipular com fins geopolíticos e estratégicos. Segundo a fonte, no Facebook participam todos os 16 serviços de inteligência dos Estados Unidos, começando pela CIA, o Pentágono e o Departamento de Defesa. ‘Tudo coletam e tudo guardam. Nada lhes escapa: fotos, correios eletrônicos, conversas, imagens, música, etc.. Com isso estabelecem um “perfil” psico-sócio-político de cada um e assim te mantém vigiado. Uma vez que você entra, já não te deixam sair; e se consegue, toda sua informação privada fica.

Na parte de exploração comercial e consumismo, segundo o The Guardian, estão comerciantes sem escrúpulos de Silicon Valley, Coca Cola, Microsoft, Blockbuster, Sony Pictures, Verizon e Conde Nast, entre outros mais. “É um serviço que fomenta o individualismo para manter um maior controle da massa. Geralmente faz crer aos imbecis que eles são importantes e os leva a cometerem qualquer ato que os verdadeiros interessados desejem efetuar sem uma participação direta que os comprometa. Coloca-se uma boa foto minha com uma lista de minhas coisas favoritas, posso construir uma representação artificial de quem sou. Também estimula uma competitividade inquietante na amizade: pareceria que com os amigos a qualidade não conta e a quantidade é rainha”, acrescenta Tom Hodgkinson. “Não se precisa muito cérebro para fazer parte do grupo e sempre te incentivam a recrutar mais ‘amigos’. –acrescenta- Vale pelo número de ‘amigos’ que recrutes. Não em vão são Estados Unidos e Canadá e Reino Unido os países com mais inscritos’, casualmente são os que mantêm mais tropas ocupando Iraque e Afeganistão. O Facebook é um projeto bem financiado, por trás dele se encontra um grupo de capitalistas de risco da Silicon Valley, com uma clara e definida ideologia que refletem em seu portal e esperam difundir pelo mundo.

Ainda que o projeto tenha sido concebido inicialmente por Mark Zuckerberg, a verdadeira pessoa por trás do Facebook é o capitalista e filósofo futurista de Silicon Valley, Peter Thiel. Só três membros integram o conselho do Facebook, e são Thiel, Zuckerberg e um terceiro chamado Jim Breyer.

Thiel investiu 500.000 dólares no Facebook quando os estudantes de Harvard Zuckerberg, Chris Hughes e Dustin Moskowitz foram ao ver em San Francisco em junho de 2004, pouco depois de lançar o lugar. Diz-se que Thiel agora possui 7% do Facebook, que segundo a atual valoração de 15.000 milhões de dólares, seriam mais de 1.000 milhões.

Mas Thiel é mais que um capitalista astuto. É um filósofo futurista e um ativista neoconservador. Graduado em filosofia de Stanford, é co-autor em 1998 de um livro chamado «O mito da diversidade», todo um ataque detalhado ao progressismo e a ideologia multiculturalista que dominava em Stanford. Afirmou que a «multicultura» supunha uma diminuição das liberdades individuais. Enquanto era estudante em Stanford, Thiel fundou uma revista de direita, que segue existindo The Stanford Review. É também membro de TheVanguard.Org, um grupo de pressão neoconservador que opera em Internet e que foi estabelecido para atacar a MoveOn.org, um grupo de pressão progressista que trabalha na rede. Thiel qualifica-se de “muito liberal”, na expressão econômica do termo.

Claramente, o Facebook é outro experimento supercapitalista: pode ganhar dinheiro com a amizade? podem criar-se comunidades livres de fronteiras nacionais e depois lhes vender Coca-Cola? O terceiro membro do conselho do Facebook é Jim Breyer. É sócio da firma de capital de risco Accel Partners, que investiu 12,7 milhões de dólares no Facebook em abril de 2005. Membro também do conselho de gigantes estadunidenses como Wal-Mart, de reconhecida trajetória de abusos trabalhistas, e Marvel Entertainment.

O departamento de defesa dos EUA e a CIA ama a tecnologia, porque facilita a espionagem. «Temos que encontrar novas maneiras de dissuadir a novos adversários», disse o secretário de defesa Donald Rumsfeld em 2003. «Temos que dar o salto à era da informação, que é o fundamento crítico de nossos esforços de transformação», acrescentou.

Porém, ainda que não se aceite a idéia de que o Facebook seja uma espécie de extensão do programa imperialista estadunidense cruzado com um instrumento em massa de coleta de informação, não há modo de negar que como negócio, é puro mega-gênio. Alguns ingênuos da rede sugeriram que sua valoração de 15.000 milhões de dólares é excessiva, mas o jornalista do The Guardian Tom Hodgkinson a considera demasiado modesta. Segundo ele seu potencial de crescimento é virtualmente ilimitado. «Queremos que todos possam utilizar o Facebook», diz a voz impessoal de Grande Irmão na Rede. E é o enorme potencial do Facebook o que conduziu a Microsoft a comprar 1,6% por 240 milhões de dólares. Um rumor recente diz que o investidor asiático Li Chan-Shing, de quem se diz que é o nono homem mais rico do mundo, comprou 0,4% do Facebook por 60 milhões de dólares. De forma que tudo isto é o que há por trás da «espontânea» mobilização por Internet contra as FARC: dinheiro e CIA. O de sempre.


Pascual Serrano Diretor de Rebelião.org