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2,2 milhões morrem todo ano por acidentes de trabalho no mundo

Essa matéria foi publicada na Edição 423 do Jornal Inverta, em 01/05/2008

A OIT calcula que 2,2 milhões pessoas morrem a cada ano no mundo devido a acidentes e doenças relacionadas com o trabalho, o que supera o número de mortos nas guerras. A cada ano são registrados 270 milhões de acidentes não fatais e 160 milhões de casos novos de doenças profissionais. No Brasil, em 2006, 2.707 foram mortos no trabalho. Lidera o macabro placar a área de Serviços, sendo seguida pela Indústria de Alimentos e Construção Civil.

2,2 milhões morrem todo ano por acidentes de trabalho no mundo

Operário sendo socorrido após mais um acidente na construção civil

2,2 milhões morrem todo ano por acidentes de trabalho no mundo


A Organização Internacional do Trabalho, em documento recente apresentado no dia 28 de abril, Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho, calcula que 2,2 milhões pessoas morrem a cada ano no mundo devido a acidentes e doenças relacionadas com o trabalho, cifra que está aumentando. Além disso, a cada ano são registrados 270 milhões de acidentes de trabalho não fatais e 160 milhões de casos novos de doenças profissionais.

Só em 2006, no Brasil, 2.717 trabalhadores morreram em decorrência de acidentes de trabalho, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que apontam também que neste mesmo ano, 537.457 acidentes de trabalho foram registrados no Brasil, com um total de 8.383 trabalhadores incapacitados; 310 trabalhadores faleceram durante o trajeto trabalho-residência, 1.636 se aposentaram por invalidez decorrente de acidentes no trabalho e 3.786 por doenças profissionais. Quando comparados aos índices de 2005, os números revelam uma queda de 8.246 acidentes de trabalho, além de uma redução de 49 mortes e 5.988 trabalhadores incapacitados. Mas apesar da queda nos números, Neste placar de mortes, o Brasil está em quarto lugar, perdendo apenas para a China, EUA e Rússia.

Em 2007, os casos de doenças ocupacionais cresceram de forma elevada, pois foi adotada uma nova metodologia pelo Ministério da Previdência, que inclui no registro dos acidentes de trabalho as doenças ocupacionais.

O setor de construção civil, segundo ele, aparecia como o “grande vilão” na prevenção de acidentes de trabalho. Na atualidade, entretanto, a área de serviços assumiu a posição de grande vilão na prevenção de acidentes de trabalho, embora o setor da construção civil siga matando silenciosamente nas obras, com grande incidência de casos subnotificados.

Mas o que passa a figurar e já assusta são as micro e pequenas empresas, porque os registros mais comuns encontrados na Previdência Social são relacionados às doenças de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomoleculares Relacionados ao Trabalho (Dort), ocasionadas por posto de trabalho inadequado.”A LER, provocada por movimentos que se repetem ao longo da jornada e pelo ritmo intenso de trabalho, responde por 49% – quase metade – dos casos, de acordo com a Previdência Social. Entre as doenças mais freqüentes estão dores lombares, sinovite e lesões de ombro e dorsais.

O segundo colocado no placar de acidentes de trabalho é a indústria de alimentos. O que indica que o perfil das doenças do trabalho tem mudado conforme o avanço das tecnologias e que os principais registros do passado, ligados ao manuseio do chumbo, do algodão e de minerais, hoje dão lugar aos problemas relacionados à ergonomia, e que o maior número de registros está ligado a doenças com o uso do aparelho esquelético, quando o trabalhador é obrigado a ter um esforço muito grande.

O próprio MTE alerta que os números oficiais relacionados à acidentes de trabalho não representam a realidade brasileira, devido à existência de empregos informais e de empresas não notificadas que atuam no país.


Acidentes e mortes causam “preju” ao Capital


A bem intencionada OIT noticiou que “o mundo do trabalho” celebrou em 28/04 o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, em meio a um novo apelo para gestão de riscos no ambiente de trabalho e redução tanto de problemas humanos quanto econômicos acarretados pelos acidentes e doenças relacionadas com o trabalho. No relatório intitulado “Minha vida, meu trabalho, minha vida em segurança: Gestão de risco no ambiente de trabalho”, enumerou uma série de técnicas de gestão de riscos que identificam, antecipam e avaliam os perigos e os riscos e prevêem a adoção de medidas para controlar e reduzi-los.

Segundo o Diretor-Geral da OIT, Juan Somavia, “a cada ano, milhões de acidentes, lesões e doenças relacionadas com o trabalho afetam de maneira negativa o ser humano, as empresas, a economia e o meio ambiente. Sabemos que avaliando riscos e perigos, combatendo-os na origem e promovendo uma cultura de prevenção podemos reduzir de maneira significativa as doenças e as lesões no local de trabalho”.

Como em anos anteriores, em 2008 serão realizados vários eventos e atividades nos Escritórios da OIT para celebrar o dia. As atividades incluem uma campanha nas ruas de Moscou sobre segurança e saúde no trabalho, que coincidirá com o primeiro congresso de especialistas na matéria a ser realizado no país. Na Ásia, será realizada uma oficina de treinamento na Indonésia, uma conferência nas Filipinas para impulsionar a ratificação da Convenção 187 da OIT sobre o marco promocional para a segurança e saúde no trabalho, e uma exposição de fotografia em Bangkok, intitulada “Celebrando vidas que trabalham: um Emprego Decente, um Futuro Melhor”.

Na América Latina, a OIT estará presente na feira internacional do livro de Buenos Aires, onde promoverá a importância da segurança e da saúde ocupacionais, enquanto que no México participará da exposição mais importante sobre este tema que já se realizou até agora no país. Na África, serão realizados vários eventos de caráter tripartite, incluindo uma peça de teatro em Adis-Abeba, Etiópia, na qual renomados atores locais interpretarão cenas relacionadas com a segurança no trabalho. Nos Estados Unidos, entretanto, não tem nada marcado na agenda da OIT e o “prejuízo”causado pelos trabalhadores acidentados e mortos na frenética busca por maior produção capitalista e lucro para os patrões, seguirá a todo vapor.

“Existem provas claras de que uma força de trabalho saudável aumenta a produtividade e beneficia tanto as empresas como as economias, mediante a redução do número de acidentes e doenças, e do número de indenizações”, assinala o Dr. Sameera Al-Tuwaijri, Diretor do Programa de Segurança e Saúde no Trabalho e meio ambiente da OIT (Safework).


Trabalho infantil é realidade para 1,4 milhão


Embora a legislação brasileira permita o trabalho como aprendiz a partir dos 14 anos, as atividades profissionais começam mais cedo para muitas crianças e adolescentes no país: em 2006, 1,4 milhão de crianças com idade entre 5 e 13 anos já trabalhavam. Em muitos casos, em atividades agrícolas e sem remuneração. Os dados divulgados no dia 28/04 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fazem parte de um suplemento com base nas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2006. De acordo com o levantamento, 41,4% das crianças entre 5 e 17 anos que trabalham exercem atividades agrícolas. Na faixa de 5 a 13 anos, essa proporção atinge 62,6%.

Para o presidente do instituto, essa realidade se agrava porque no meio rural, o acesso a serviços médicos e informações sobre procedimentos corretos para o trabalho é mais difícil. Ainda segundo o estudo, o percentual de ocorrências de machucados ou doenças nas crianças e adolescentes de 5 a 17 anos é maior nas atividades agrícolas (6,4%) do que naquelas não agrícolas (4,6%).


22 milhões de crianças e jovens de 5 a 17 anos nas “casas de família”


Mais de 22 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade - 49,4% do total dessa faixa etária - exerciam afazeres domésticos em 2006. A atividade em casa, que pode superar 21 horas semanais, atinge de forma mais direta as meninas e a faixa etária de 10 a 13 anos. Os dados são um dos destaques da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada em 28/04 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maioria são do sexo feminino, 62,6%, contra 36,5% do sexo masculino, como da menina Marielma, 11 anos, assassinada com requintes de crueldade, após ser violentada por repetidas vezes pelo patrão e espancada pela patroa, em mais um crime entre os muitos cometidos todos os dias contra a classe operária e seus filhos, que não mereceram as manchetes dos jornais, pois ocorreram longe dos olhos e da sensibilidade das camadas médias. Entre as crianças de 10 a 13 anos está o maior percentual de ocupação com os afazeres em casa (60%). Para as crianças na faixa de 5 a 9 anos, o índice foi de 24,7%. Segundo o IBGE: “Cabe o destaque para a Região Nordeste, onde essa proporção era a mais alta, aproximadamente 14,7%. A Região Sul foi a que apresentou a menor proporção nesta faixa de tempo de dedicação (9,1%)”.

Outro ponto que demonstra claramente o limite das instituições capitalistas na defesa real dos trabalhadores, como a OIT, é que mesmo quando trazem à luz as mazelas do Capital contra a classe produtora, uma contribuição importante, deixam como saída a “melhoria das condições de trabalho”, como se a condição de existência do modo de produção capitalista não fosse a exploração vil de homens, mulheres e crianças, triturando-os até morte para gerar mais-valia e com isso acumular mais capital.

Tragamos para a própria classe trabalhadora e sua vanguarda, a tarefa histórica de acabar com o monstro em vez de torná-lo manso. A organização autônoma da classe trabalhadora, em comitês de luta contra o neoliberalismo, em cada fábrica, em cada bairro, no campo, por exemplo, deve ser levada a cabo sem demora, sem esperar mais uma morte ou amputação de partes do corpo.

De certo, pois como também escreveu Gonzaguinha, em “Bom dia” em mais uma homenagem ao povo brasileiro:


“Apesar de tudo estamos vivos/Pro que der e vier prosseguir/Com a alma cheia de esperanças/Enfrentando a herança que taí/(meu Deus do céu)/Nós atravessamos mil saaras/E eu nunca vi gente melhor pra resistir/A tanta avidez, a triste estupidez/Ao cada um por si, ao brilho da ilusão/Digo na maior - melhores dias virão/É um desejo deste enorme coração/E vamos cuidar da úlceras/E vamos tratar dos pústulas/Justiça remédio sensacional/Para levantar nossa moral/E pra incrementar o ânimo/E pra fortalecer o fôlego/Um vinho constituinte bem popular para reforçar a saúde nacional/Bom dia, bom dia, bom dia/Alegria, alegria, alegria/Bom dia, bom dia, bom dia/Taí o que a gente merecia/(pra começar)”.


Bianka de Jesus