Assuntos
che chuva cinco heróis comunismo crise do capital cuba editorial eleicoes farc haiti

Ícone PCML PCML (Br)Ícone Cooperativa Inverta Coop InvÍcone RádioRádio ícone CeppesCeppes Ícone J5JJ5J

ÍCONE RSSRSSÍcone mala diretaLista twitterTwitter

Você está aqui: Página Inicial / Edição Impressa / Edição 411 / Política / O etanol e a estrutura agrária do Brasil

O etanol e a estrutura agrária do Brasil

Essa matéria foi publicada na Edição 411 do Jornal Inverta, em 26/04/2007

A volta da monocultura da cana de açúcar é um retrocesso no modelo de desenvolvimento brasileiro e para abastecer o mercado dos EUA será feito um grande sacrifício para a população brasileira

    O etanol e a estrutura agrária do Brasil


    A volta da monocultura da cana de açúcar é um retrocesso no modelo de desenvolvimento brasileiro e para abastecer o mercado dos EUA será feito um grande sacrifício para a população brasileira. Segundo estatísticas do IBGE e do INCRA, o Brasil tem um total de 310 milhões de hectares agriculturáveis do total dos 854 milhões da área geográfica do país. A estrutura fundiária no Brasil é uma das mais concentradas do mundo e na maior parte das 5 milhões de propriedades cadastradas pelos órgãos responsáveis os grandes fazendeiros representam 1,2% dos imóveis rurais e ocupam 55% do espaço agrícola brasileiro, enquanto a pequena propriedade representa 60% dos imóveis cadastrados e só ocupam 7,8% da área total. Para produzir etanol haverá uma nova reestruturação da agricultura brasileira com uma nova concentração fundiária, inclusive com subsídios do governo norte-americano, uma vez que o interesse dos EUA em mudar o seu padrão energético com a produção de etanol do milho e da cana de açúcar pode fazer com que no Brasil as fronteiras agrícolas sejam aumentadas, causando impactos em vários setores da cadeia produtiva.

    Desde o início da história brasileira a economia do país sempre foi feita de ciclos, o primeiro deles foi a extração do Pau Brasil por cerca de 30 anos, depois veio a cana de açúcar, que permaneceu até o fim do Brasil colônia, depois a pecuária que interiorizou o desenvolvimento econômico e assim foram se sucedendo os tipos de atividade, mas sempre com uma característica, o modelo de desenvolvimento brasileiro sempre teve como pedra fundamental: a grande propriedade agrícola e o latifúndio. A única exceção de produção no pequeno e médio imóvel rural foi com a chegada ao Brasil dos imigrantes europeus em meados do século XIX que se instalaram no sul do país.

    A cultura da cana de açúcar em grande escala como estão oferecendo o governo dos EUA está fazendo com que o preço da terra aumente significativamente por causa da produção do etanol, mas para este tipo de atividade serão necessárias grandes extensões de terra e isso vai aumentar a expulsão do homem do campo e criar mais tensões no meio rural brasileiro com a cobiça dos capitalistas da agricultura, principalmente os grandes empresários do setor e as multinacionais que investem grandes somas de recursos nos chamados desertos verdes, são os setores que mais recebem dinheiro do governo para pagamentos a perder de vista, que na sua maioria não são pagos. Além da concentração fundiária, os problemas ambientais e ecológicos serão óbvios neste tipo setor, pois para produzir em grande escala para a exportação será preciso grandes projetos de irrigação que desequilibrarão o oferecimento de recursos naturais à maior parte da população brasileira, como já está acontecendo em vários lugares do Brasil com a plantação de eucalipto que muda os biomas e os ecossistemas, afetando o clima e causando desastres e problemas sérios para a vida, não somente do ser humano, mas para a existência do planeta e a sua biodiversidade.

    Segundo o MST, que é contra a monocultura da cana de açúcar, o grande problema é que mais 70% da produção de alimentos para o mercado interno vem dos pequenos e médios produtores rurais e isso mostra que se houver uma opção do governo federal pelos usineiros haverá escassez de áreas usadas para produzir alimentos e com isso os preços dos produtos agrícolas irão subir para o consumidor das grandes cidades. Outra constatação estatística é que cerca de 90% do emprego no campo está ligado a produção familiar e com a possível concentração da terra existirão mais sem terras e bóias-frias precarizando os postos de trabalho no setor agrícola. Os conflitos agrários, segundo o MST, irão se aprofundar caso haja um retrocesso do governo Lula em apoiar a atividade canavieira, a solução é a organização popular para impedir a produção de etanol em larga escala como propõe o imperialismo norte-americano e a elite ruralista brasileira que continua sendo uma das mais atrasadas do mundo.


Lucio Fernando

Ações do documento
Adicionar Comentário

You can add a comment by filling out the form below. Plain text formatting. Comments are moderated.

 

Livro Crise prop portlet