Brasil, o aborto da Igreja II
Essa matéria foi publicada na Edição 411 do Jornal Inverta, em 26/04/2007Após a vinda do belzebush, e toda a sorte de propostas indecentes contra o povo e a soberania do país, o Brasil será “tocado” pelo papa agora em maio de 2007. Aguarda-se a “canonização” do primeiro santo brasileiro; o comércio prepara as “lembrancinhas” com o rosto do papa alemão, que ainda não conseguiu ser pop, como o anterior, apesar de ter até citado Marx para explicar as desigualdades sociais.
Brasil, o aborto da Igreja II
Depois de Bush, o papa.
Após a vinda do belzebush, e toda a sorte de propostas indecentes contra o povo e a soberania do país, o Brasil será “tocado” pelo papa agora em maio de 2007. Aguarda-se a “canonização” do primeiro santo brasileiro; o comércio prepara as “lembrancinhas” com o rosto do papa alemão, que ainda não conseguiu ser pop, como o anterior, apesar de ter até citado Marx para explicar as desigualdades sociais. Mais uma vez os grupos da extrema direita católica e os lobbies políticos, fortíssimos, cerram fileiras contra a legalização do aborto. Provocam o ministro, perseguem organização de mulheres. Ao mesmo tempo fazem parte, em sua maioria, do que pressionam o governo para baixar a maioridade penal, em nome da vida, da família, e da propriedade privada dos “homens de boa fé”, para jogar no inferno cristão - dos cárceres e febens (quem conhecesse a descrição da bíblia do que seria o inferno e viu, mesmo pela TV a situação das prisões no Brasil, sabe do que falo), jovens contraventores com cada vez menos idade, são contra uma discussão que levada ao povo brasileiro cientificamente, sem obscurantismo religioso, impediria que milhares de mortes que aconteçam todos os anos nas clínicas clandestinas
O
quadro atual mostra que o Brasil gasta por ano cerca de US$ 10
milhões no atendimento das complicações do
aborto inseguro, revela dossiê da Rede Feminista de Saúde,
entidade que reúne mais de 200 organizações de
mulheres. No Brasil, o aborto é a quarta causa de mortalidade
materna.
Elaborado a partir de consulta no DataSus (Departamento
de informática do Sistema Único de Saúde), o
documento mostra que, anualmente, são feitas cerca de 238 mil
internações por aborto na rede pública de saúde,
a um custo médio unitário de R$ 125, totalizando R$
29,7 milhões.
As maiores taxas de curetagens estão no Nordeste (5,5 a cada 1.000 mulheres), no Norte (4,48) e no Sudeste (4,13). A menor taxa está no Sul (2,65). Não estão computados os atendimentos realizados na rede privada.
Há uma unanimidade entre os pesquisadores de que tanto o número de abortos oficialmente registrados como os gastos com esses procedimentos estão muito aquém da realidade.
As
projeções dão conta de que casos de abortos
clandestinos ultrapassem 1 milhão por ano no Brasil.Os casos
que chegam aos hospitais são, em geral, referentes a
complicações. "Mulheres pobres que estão
com hemorragia intensa ou infecção", descreve o
médico Aníbal Faúndes, professor da Unicamp.
Os gastos públicos com o aborto também estão sub-dimensionados porque não são computados os custos com internações prolongadas ou com as mulheres que necessitaram de UTI.
Hoje, mesmo que esteja previsto em lei o aborto em caso de estupro ou risco de vida da mãe, muitas brasileiras não sabem disso e muitos serviços médicos dificultam o atendimento. Ao chegarem a um serviço público com abortamento em curso ou com complicações, as mulheres são tratadas como criminosas, são as últimas a serem atendidas, até que muitas fiquem com seqüelas ou morram.
É uma irresponsabilidade do Estado deixar que adolescentes comprem remédios abortivos em camelôs. Ignorar a existência de clínicas clandestinas, que matam mulheres por infecção ou imperícia, é um crime. Condenar a mulher que aborta é desumano.
Há 10 anos o país era tocado pelo papa também. Em nossa edição 129, em seu editorial “Brasil, o aborto da Igreja”, foi feito um histórico do descobrimento do país, desde a primeira missa aqui celebrada, que fundava neste continente a ideologia oficial que justificaria toda a barbárie e atrocidades da colonização, até os dias atuais e relacionando os povos indígenas, africanos e imigrantes europeus pobres, moídos pela classe dominante para edificação do maior país católico do mundo, afirmava: “Se as multidões de almas, que os pelourinhos, açoites, chibatas e parabelos consumiram a salpicar corpos e gotas de sangue, irrigaram e sedimentaram a construção da maior nação católica do mundo; o clamor de revoltas impotentes, de protestos desesperados e de procuras, de salvação eterna deste martírio terreno, não menos tornou cativa da ideologia cristã a mente de milhares de homens e mulheres; pois o medo de Deus e do Santo Padre. E nisto revela´se todo o segredo desta maior nação católica do mundo e também a construção da maior prisão ideológica e econômica do mundo: O Brasil não nasceu, tornou-se o maior aborto da Igreja Católica.”
Aos que pensam que esta visita os tirará do martírio da miséria capitalista, o alívio será um sopro apenas, passada a catarse do choro e das lamentações a realidade os trará de volta às suas casas, para os que a possuem,; os mendigos, como da outra vez, serão retirados das ruas, numa faxina social, os morros e bairros proletários estarão cercados. Até quando buscaremos na vida celestial a resposta para nossas necessidades terrenas, para nossa realidade. Como diz o editorial: “(...) É por isso que caminhamos nós, nem sempre sós, até sempre iguais, no caminho do combate heróico e da redenção da humanidade proletária: a Revolução Socialista (...)”.
BJ e AG

