Assuntos
che chuva cinco heróis comunismo crise do capital cuba editorial eleicoes farc haiti

Ícone PCML PCML (Br)Ícone Cooperativa Inverta Coop InvÍcone RádioRádio ícone CeppesCeppes Ícone J5JJ5J

ÍCONE RSSRSSÍcone mala diretaLista twitterTwitter

Você está aqui: Página Inicial / Edição Impressa / Edição 411 / Internacional / A situação política do governo na Itália

A situação política do governo na Itália

Essa matéria foi publicada na Edição 411 do Jornal Inverta, em 26/04/2007

A situação política do governo na Itália é sempre bastante complicada. Isso, devido à composição muito fragmentada do governo, em meio a um centro católico e a uma esquerda progressista e antiglobalização. Cada problema de certa relevância carrega consigo polêmicas e discussões acaloradas.

A situação política do governo na Itália


    A situação política do governo na Itália é sempre bastante complicada. Isso, devido à composição muito fragmentada do governo, em meio a um centro católico e a uma esquerda progressista e antiglobalização. Cada problema de certa relevância carrega consigo polêmicas e discussões acaloradas.
    O resultado, até agora, tem sido sempre a obtenção, no último minuto, de um compromisso que alegre a todos, mas que, em última análise, vai ao encontro do senso comum da política na Itália - a favor das classes abastadas e, no âmbito das relações internacionais, com estreita aliança/submetimento aos EUA.
Mas as questões sempre aumentam mais e mais, e, após a aprovação da Lei Financeira no Parlamento, podemos prever outra densa nuvem negra no horizonte.
    Alguns exemplos: a presença dos soldados italianos em cenários de guerra críticos, como o Afeganistão e os Balcãs. Do Iraque, os soldados italianos se retiraram, e agora resta em pé apenas a relação daquele país com algumas ONGs. O saldo é que nossos soldados, de agora em diante, têm como preocupação apenas sua própria incolumidade, após os estragos feitos por guerrilheiros iraquianos em novembro de 2003, deixando dezenove mortos.
Outro problema: a extensão, a duplicação de uma base militar estadunidense em Vicenza, bela e rica cidade da região de Veneto. Esta decisão foi tomada pelo governo precedente, de centro-direita, e foi honrada pelo atual governo, levantando divisões no Conselho de Ministros de Prodi e a ameaça, no Parlamento, de votos contrários por parte da esquerda, em um tipo de recado nem sequer velado.
    O outro grande ponto questionável é a nova Lei Previdenciária. Pouco a pouco, os ministros interessados começaram a meter a mão no pilar previdenciário, piorando-o. O governo passado já havia aumentado a idade mínima para a aposentadoria, sob o pretexto de que a esperança de vida está aumentando.
Este governo, para permanecer dentro dos parâmetros europeus, que a Europa exige sem pensar nos homens e mulheres reais, mas apenas no fechamento dos balanços, cada vez mais difícil, tem feito escolhas amplamente impopulares.
    Decisões que deverão fechar as contas ao custo da política internacional, da concorrência em meio a grandes potências como EUA, Rússia, China e União Européia e a países emergentes produtores de petróleo.
    Sem levar em conta a vida real, mas apenas os números, a Europa exige da Itália cada vez mais rigor, cada vez mais rigidez. Por isso, querem reduzir cada vez mais o Estado do Bem-Estar Social; via sistema previdenciário, querem modificá-lo limitando seus efeitos.
    Em suma, a privatização e a liberalização das áreas sociais devem avançar cada vez com maior velocidade. Evidentemente, a falência do exemplo da Argentina, apenas para citar o caso mais gritante dos últimos anos, parece não servir-lhes de nada.
    A composição de centro-esquerda está fazendo mais ou menos o que a centro-direita fazia. O centro do cenário político dentro em pouco englobará também os Democratas de esquerda (DS), racha do ex-Partido Comunista Italiano, que estão para se unificar com um partido de centro - La Margherita (ex-Democracia-Cristã) - e com vários fragmentos de outros partidos de centro da política italiana, formando, assim, o Partido Democrático.
    Se para o centro, diria-se, a atual rota política vai bem, como pode essa mesma política ser funcional para a esquerda?

Tiziano Tussi

Adicionar Comentário

You can add a comment by filling out the form below. Plain text formatting. Comments are moderated.