GT1. Neoliberalismo e Movimentos Sociais; Neoliberalismo, Educação e Saúde; Neoliberalismo e Cultura
Essa matéria foi publicada na Edição 405 do Jornal Inverta, em 19/10/2006Os Debates Temáticos no I Congresso Nacional de Luta Contra o Neoliberalismo: GT1. Neoliberalismo e Movimentos Sociais; Neoliberalismo, Educação e Saúde; Neoliberalismo e Cultura
Durante as comemorações do XV Ano de luta do Jornal INVERTA e XIV Ano de publicação do GRANMA Internacional, em língua portuguesa, realizaram-se as atividades do I Congresso Nacional de Luta Contra o Neoliberalismo, ano I da iniciativa de realização permanente do Congresso Popular Nacional de Luta Contra o Neoliberalismo, sob a chancela do Jornal INVERTA, Cooperativa INVERTA, comitês de Luta contra o neoliberalismo e o CEPPES (Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais).
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O SEMINÁRIO

- Representantes de entidades acompanham atentamente as exposições e participam do debate
O seminário foi dividido em dois grandes grupos, sendo o Grupo I responsável por desenvolver a compreensão para todos os participantes da atividade, público e palestrantes; como o imperialismo, por meio de sua política econômica, o neoliberalismo, se apresenta à classe operária e ao proletariado, em geral, nos serviços essenciais de saúde e educação, criando cultura e mídia a serviço da classe dominante, gerando a tese sórdida da Criminalização dos Movimentos Sociais, procurando domesticar e amordaçar o povo pobre e ao operariado. Os temas desenvolvidos procuravam apresentar através de cortes teóricos e pela troca de experiências práticas e empíricas esclarecer sobre a ótica das classes dominantes no momento atual, além do desenvolvimento das formas e conteúdos da resistência e acumulação de forças das classes dominadas e exploradas.
ENTIDADES PRESENTES
Várias entidades e movimentos estiveram presentes e se fizeram representar nas mesas de exposições, como o Sindicato dos Desenhistas do ABC/SP, a Federação das Associações de Bairro de Pelotas/RS, o ASSIBGE-SN, a ASJT, o MTL, o Reage Socialista, o SINDSPREV-RJ, o Núcleo da Casa das Américas de Nova Friburgo, o CEPPES, o Jornal Inverta-RJ e suas sucursais em vários estados do país, Comitês de Luta contra o Neoliberalismo de SP, MG, RJ, de várias cidades como Nova Iguaçu, Nova Friburgo e da própria capital, por isso tendo sido desenvolvido um debate vibrante e acalorado.
OS GRUPOS DE DEBATES

- Tito Ameijeiras, Cláudio Gurgel, Neimar Oliveira, Waldemiro Pereira e Sérgio Feitosa
Foram convidados para organizar e mediar os trabalhos os camaradas Waldemiro Pereira e Neimar de Oliveira, de acordo com as normas organizativas do seminário, sendo indicados pela comissão organizadora do evento. A mesa inicial de palestrantes teve a contribuição do professor da UFF, doutor em Sociologia, Pedro Castro, que apresentou sua contribuição demonstrando as mudanças ocorridas na classe operária, em particular, e no proletariado, em geral, na época atual, diante das novas correlações de forças desenvolvidas com a política econômica neoliberal. Apresentou as mudanças significativas em sua opinião e de acordo com a realidade objetiva, desenvolvendo em suas teses o processo de que a questão fundamental em nosso país é como desenvolver a estratégia e as táticas corretas de como derrubar o capitalismo, apresentou em sua locução o papel de importância de INVERTA, fazendo inclusive uma retificação pública de suas posições anteriores.
Encaminharam à mesa do Seminário todas as suas teses atuais que devem ser apresentadas por inteiro em nossas publicações futuras.
GT1 - MOVIMENTOS SOCIAIS E SERVIÇOS ESSENCIAIS

- Henrique Acker faz sua intervenção, na mesa: Pedro Castro, Neimar, Ségio e Haroldo faz relatório do Grupo.
A mesa do GT I foi composta por Henrique Acker, jornalista e editor do programa Boca Livre, que demonstrou o processo contínuo onde se desenvolve a lógica de centralização do capital, tornando necessário a construção de ralastes de coletividade, acentuou a significativa diferença de interesses entre movimentos não governamentais (orientados por ONGs) e os movimentos sociais (mobilizações autônomas das classes submetidas e exploradas contra o Estado Mínimo Neoliberal) e que a questão principal é como organizar o proletariado e o povo pobre para a luta;
Iná Meirelles, que demonstrou o processo acentuado de desenvolvimento da tecnologia no sistema capitalista atual e que à face do domínio político-militar (fase de luta antiterror no mundo de hoje) impele as classes exploradas a um novo momento de luta, e explicou que já poderia ter sido desenvolvido nas lutas pelo impedimento de Collor de Mello, momento perdido por ter se desenvolvido, segundo a expositora, uma luta muito mais no plano moral do que no plano político, possibilitando a permanência de todas as bases do pensamento neoliberal. Demonstrou como a crise da saúde pública atual tem suas raízes estabelecidas neste erro tático das classes proletárias em luta;

- Iná Meireles em sua exposição
Cláudio Gurgel desenvolveu o processo da educação brasileira utilizando como base de suas investigações a Universidade Pública, que mantém um acentuado elitismo que criou a trágica situação onde a oligarquia financeira neoliberal exige dos atuais governantes mudanças de estratégias educacionais para não comprometer a sociedade que é voltada para o lucro, por existir uma permanente escassez de mão de obra especializada de terceiro grau. Criticou a Reforma da Educação, porque a população entre 18 a 25 anos atenderá depois de implantada menos de 9% deste universo. Contraditoriamente ao Canadá, também com um regime neoliberal, que do mesmo universo da sua população atende em torno de 82% e que países emergentes como o Brasil, na América do Sul, como a Argentina e o Uruguai alcançam porcentagens de 32% e 40%, respectivamente. Atentou como hoje as Universidades estão voltadas para o setor privado, havendo a mercantilização do ensino superior e o rompimento do papel público das universidades federais, que são hoje mantidas na pós-graduação, tanto em cursos “latu-sensu” quanto “stritu-sensu”, por fundações de capital aberto ou através de ONGs (ditas sem fins lucrativos) e o mais amargo de tudo isso é que a oferta de vagas, através da política de cotas responde mais as necessidades do mercado neoliberal de achatamento do valor salarial desta faixa de trabalhadores especializados do que as reais necessidades da massa de estudantes. Vai de encontro a esta política também no ensino médio: a massificação do ensino através da incorporação das vagas privadas, o chamado ensino à distância e a reforma curricular. O expositor demonstrou que nosso maior desafio é o de lutar pela qualificação do conhecimento utilizando as experiências socialistas revolucionárias das escolas politécnicas e da universalização das ciências humanas em todos os ramos do conhecimento.
O cineasta Tito Ameijeiras iniciou sua palestra prestando tributo a um companheiro de lutas falecido na Argentina que proximamente prestaremos nossas homenagens.
Após este preâmbulo, Tito Ameijeiras apresentou os temas de como a indústria cultural neoliberal tem se apropriado das mentes e dos corações, como diziam os governantes estadunidenses na época da Guerra do Vietnã, da humanidade procurando destruir a principal compreensão do que é o conceito de cultura: a produção humana do seu mundo tanto ao nível do trabalho quanto do lazer e do entretenimento, passando pela informação e pela formação da opinião, tanto em nível coletivo quanto individual. Caberia ao mundo da revolução expropriar produtos do modo de produção dominante que viessem a servir ao nosso aparelho revolucionário e coletivo. Esta expropriação se daria no campo da tecnologia criando um nicho em nosso proveito.
Citou o jornal INVERTA e toda produção cultural da cooperativa INVERTA como produtores de veículos de distribuição do pensamento da esquerda revolucionária. E que mais do que nunca se fazem necessárias ações desta esquerda no mundo hegemonizado pelas técnicas dos opressores.

- rgio Feitosa fala de sua experiência à frente da ASJT-Rio
Citou vários exemplos de ação concretos desde a reorganização dos movimentos cineclubistas até a concretização dos núcleos da Casa das Américas, no Brasil.
A segunda parte dos trabalhos teve as contribuições através de seus relatos práticos, de Jacqueline Alves, diretora do SINDSPREV, e de Sérgio Feitosa, presidente da ASJT, que aprofundaram o conhecimento do processo de desenvolvimento neoliberal na saúde e na justiça do trabalho.
Sebastião Rodrigues, correspondente de INVERTA em Minas Gerais, aprofundou as questões sobre cultura procurando realizar um quadro das discrepâncias e contradições entre cultura de dominação e cultura libertária.
A questão de aprofundar o estudo teórico sobre o imperialismo e sua política econômica atual, o neoliberalismo, foi unânime para compreendermos a essência do capitalismo contemporâneo.
Todas as apreensões das temáticas devem, da mesma maneira, se transformar num real resgate para o povo brasileiro, divulgando através de todas as formas de mídias impressas e outras e que tendo papel consensual prático e teórico, nas lutas de classes no Brasil e na própria América Latina, está há quinze anos o jornal INVERTA, como órgão de caráter marxista-leninista.
O consenso em relação à fragmentação dos partidos políticos, movimentos sociais e populares e de que o desenvolvimento, a criação e formação dos comitês de luta contra o neoliberalismo, além da permanente organização de seminários e congressos com o mesmo fim, para o fortalecimento de posições políticas fora do cenário político e social institucional sob o controle da burguesia.
O consenso principal no que diz respeito às relações sociais de produção e sua contradição inconciliável com as forças produtivas do modo de produção capitalista, em sua fase imperialista, fortaleceu principalmente o setor financeiro, dominado pelas oligarquias financeiras burguesas, onde portanto, deve ser permanente a luta pela nacionalização do sistema bancário brasileiro.
Além disso, as modernizações tecnológicas devem ser utilizadas em benefício do proletariado, desenvolvendo também a sua ciência.
Por isso a declaração final do seminário deve ser divulgada no jornal INVERTA assim como nos órgãos de imprensa de entidades de classe.
Haroldo de Moura





