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CUBA HOJE

Essa matéria foi publicada na Edição 0 do Jornal Inverta, em 24/09/1991

É necessário reconhecer que em Cuba hoje se vive um período de crise, naturalmente tendo em vista parâmetros particulares que atravessam sua realidade. Disso não fazem segredo porta-vozes oficiais do seu atual governo e muito menos os que dele discordam. Por tudo isso é necessário também caracterizar-se o significado especial da crise cubana atual.

Tudo indica que, do ponto de vista material, tal crise resulta da combinação de sua antiga pobreza relativa de recursos naturais e condições decorrentes do bloqueio econômico anterior e imperialmente imposto e comandado pelos Estados Unidos da América do Norte, com as recentes modificações dos termos de relacionamento e intercâmbio de Cuba com a União Soviética e os países do leste europeu. Em suas recentes perdas, do ponto de vista econômico, este país, além de sofrer os efeitos negativos comuns aos demais países do terceiro mundo e particularmente da América Latina das mudanças no quadro mundial, teve agravadas essas influências pela redução ponderável da ajuda econômica e da favorabilidade que gozava em relações de troca que mantinha com aqueles países. Nesse sentido, no plano material e em sua expressão mais nitidamente econômica, para simplificar, é possível dizer, numa espécie de analogia com uma economia doméstica, que a sociedade cubana está com o montante historicamente desenvolvido de sua despesa, no presente sob regime de cortes, salvo em setores considerados intocáveis, como educação e saúde.


As transformações que vêm ocorrendo no mundo têm por sua vez também significados específicos tanto no plano político-militar quanto no simbólico representativo, com repercussões já detectadas sobre Cuba. Quanto ao primeiro, a essência do aparato de forças preexistentes, sobretudo das armas continua, embora com algumas reduções já acordadas e ocorridas entre as nações até há pouco conhecidas como mais poderosas. Por outro lado, entre outras razões, com o fim do Pacto de Varsóvia e a manutenção da OTAN e os acontecimentos militares mais recentes do Golfo Pérsico não só a União Soviética se debilitou como cristalizou-se a incontestável e já ostensiva e presunçosa supremacia geopolítico-militar dos Estados Unidos dá América do Norte, não obstante suas sensíveis dificuldades econômicas recentes.


No plano simbólico é também inquestionável a crise de imagem vivida hoje por Cuba e já interpretada até como maior que a anterior. Esta constituiria uma crise de valores tais como os das idéias da supremacia do planejamento centralizado sobre as leis do mercado, da visão ética de coletivista e comunista inerentes à concepção do internacionalismo proletário.


Conjugadamente essas determinantes globais da crise cubana ensejam perspectivas e prognósticos mundiais que variam desde as otimistas antevisões de redefinições dos atuais caminhos a partir de possíveis conflitos de hegemonia entre de um lado o Japão e a Europa do mercado comum e do outro os Estados Unidos da América do Norte, até a apocalíptica visão da centralização avassaladora de nova tríplice aliança de interesses norte-americanos, japoneses e europeus, supeditada pela ação e pelos fins das transnacionais, numa sinistra repartição do mundo entre si. Nesta alternativa a até agora convivência da bipolaridade horizontal (EUA x URSS) e suas relações com as eventuais multipolaridades entre outros países seria sucedida por uma nova bipolaridade verticalizada, com vocações sangrentas. Em qualquer das alternativas parece acertado o entendimento de que se renovam as necessidades de reunião de interesses dos chamados países latino-americanos do recém terceiro mundo, ainda que redefinidas em termos de realinhamento adaptados ao quadro atual.


É neste cenário mundial que Cuba se situa, com sua crise, quer no âmbito mais estritamente econômico do modo de produção socialista que pretende estar desenvolvendo, quer quando às claras repercussões políticas manifestadas nas suas formas singulares de organização política, quer ainda nas condições sociais de vida de sua população.


Nesses três planos o último — o da chamada política social — parece ser o maior sustentáculo da experiência da revolução cubana, dado que mesmo seus adversários internos e externos reconhecem-no como exitoso. O segundo — o político propriamente dito — ainda que mais vulnerável que o terceiro, não obstante o aumento do descontentamento interno e das críticas e pressões externas, parece abrigar um elevado grau de apoio ou consenso, como preferem denominá-lo aí, em torno da orientação escolhida por seus atuais dirigentes, liderados pelo comandante Fidel Castro. Tudo indica consenso também largamente baseado nas relevantes conquistas do povo com sua revolução, bem como, no plano subjetivo, no grau e tendência da consciência política da população. Além disso em mais recentes tentativas de flexibilização de mecanismos políticos tais como as recentes milhares de assembléias do Partido Comunista, pesquisas de opinião, reuniões

das lideranças das principais organizações da sociedade e até algumas mudanças nas regras do jogo eleitoral relativas ao poder legislativo ou parlamentar.


Finalmente, o ângulo econômico é sem dúvida o mais vulnerável dos distintos aspectos da atual crise cubana, com transparentes reflexos nas vigentes medidas inclusive de racionamentos e de sacrifícios relativos vividos atualmente pelos cubanos e nos diferentes padrões de consumo dos segmentos da população local, mas sobretudo entre os turistas e o povo cubano. É evidente também que os dirigentes de Cuba estão atentos a isso. Estão agindo em várias frentes internas e na relação com o exterior, inclusive com o Brasil, tentando superar suas imensas dificuldades atuais, recorrendo a vários expedientes, entre os quais o da inversão estrangeira, sobretudo nos campos do turismo, agroindústria, biotecnologia e produtos farmacêuticos.


Nesse complexo quadro, até o momento, o considerável grau de apoio do governo sugere que o sistema político tem tido elasticidade suficiente para, ao mesmo tempo que se nega a promover "aberturas" típicas insinuadas por seus adversários ou opositores, ajustar-se às circunstâncias atuais em sua luta titânica para ultrapassar, vencendo, a crise que ora experimenta. Resta saber o que conseguirão alcançar os cubanos em suas tentativas de avanços no âmbito econômico, substitutivos da situação de equilíbrio anterior, até onde vai a flexibilidade do seu regime político atual e até quando a maior parte da população que hoje apóia o governo se disporá a prosseguir nos sacrifícios que já oferece. A nós, espectadores amigos e admiradores do povo cubano e de sua revolução, além de tentarmos contribuir para o entendimento do que ocorre ali hoje, cabe também buscar formas concretas de solidariedade ao único país latino-americano que já tinha conseguido erradicar a miséria absoluta, o analfabetismo, a mendicância, as altas taxas de insalubridade e enfermidade da população e outras pragas sociais. E, tanto quanto possível, executá-las.


PEDRO CASTRO — Dr. em Ciências Sociais Pres. do Conselho Diretor do CEPPES

pamela
pamela says:
28/09/2011 22:01

cuba hoje ainda e um pais socialista
eu apoio pois todos pondem viver igualmente

ernesto eu sou cubano
ernesto eu sou cubano says:
30/09/2011 22:15

graças a grande ambiçao economica norte americana,nos encontramos diante dessas situaçoes.

New Chan
New Chan says:
17/10/2011 20:43

*Parabens, gostei muito do seu post.

retardado inteligente
retardado inteligente says:
31/10/2011 20:46

apoio o socialismo porem axo q todos sao oke criaram para sua vida todos tem a chance de estudar e ter uma vida melhor estuda kem quer tem uma vida melhor quem quer

julia
julia says:
08/03/2012 17:32

Cuba pode estar hoje passando por alguns problemas econômicos,mas acredito que com sua educação de alta qualidade e seu grande desenvolvimento educacional e tecnológico apesar de não receber ajuda do exterior,em relação a outros países desenvolvidos cuba se torna um exemplo de admiração e comprometimento com o seu povo.

j'f
j'f says:
16/08/2012 20:09

aaaaaaaaa so se for mesmo socialismo.

Bianca
Bianca says:
20/08/2012 15:33

Achei ótimo sua postagem, me ajudou no meu trabalho de Geografia sobre a atual situação de Cuba, - porém situação POLÍTICA e SOCIAL - aliás, estou a sétima série. Parabéns!

carlos
carlos says:
12/09/2012 12:21

acredito q embora em crise a cuba mostra ao mundo q pode viver sem ajuda e ainda mais tendo boa saude e educação para todos sem excessão.quem me dera que angola fosse assim

Marina
Marina says:
26/09/2012 21:41

Viva a Cuba! O único país da América-latina que existe prioridade na educação e saúda da população! Tinhamos de tomar Cuba como exemplo e fazer algo parecido no Brasil!

G.L
G.L says:
25/10/2012 17:02

Muiiiiiiito obbg me ajuudou baastaante

aninha
aninha says:
30/11/2012 08:39

gostei bastante pois mi ajudou a fazer uma pesquisa de escola!!

G.L says
G.L says says:
12/05/2013 23:34

parabens os textos me ajudaram muito

Gleycy Kelly
Gleycy Kelly says:
20/06/2013 17:40

Cuba hoje e um pais democratico

Raimundo
Raimundo says:
14/04/2014 19:39

cuba é meu sonho de passeio um dia viva cuba

nathalia machado
nathalia machado says:
31/08/2014 12:37

eu achei ótimo o texto, pois me ajudou a fazer um trabalho de geografia e saber mais sobre Cuba. estão de parabéns!!!

Adriana
Adriana says:
07/09/2014 18:46

Maravilhoso saber que na história fica mais que provado que o mundo pode ser bom para todos!!!!!!!!

Adriana
Adriana says:
07/09/2014 18:49

Conhecer mais sobre a revolução cubana me fez até sonhar com um Brasil melhor!!!

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