Mensagem de Solidariedade ao Povo Colombiano e as FARC-EP
Mensagem da Coordenadora Continental Bolivariana - Capítulo Brasil, Luís Carlos Prestes, sobre a concretização da entrega unilateral de Clara e Consuelo pelas FARC-EP ao governo venezuelano
Mensagem de Solidariedade ao Povo Colombiano e as FARC-EP
Por: Aluisio Bevilaqua, membro da presidência coletiva da CCB
O Capítulo Brasil da Coordenadora Continental Bolivariana, diante da luta de resistência na Colômbia, em que se destaca, indiscutivelmente, a guerrilha das FARC-EP, comandada por Manuel Marulanda Velez, vem através desta mensagem expressar seu apoio e solidariedade total com a luta do povo colombiano e as FARC-EP e não tem dúvida em afirmar que, apesar do regime de opressão, exploração e miséria, do governo das oligarquias e do imperialismo de Álvaro Uribe, há esperança para o povo colombiano, para a Colômbia, a Gran Colômbia, nuestra América, e para humanidade!
Há esperança para o povo colombiano, porque já não é possível para as oligarquias aterrorizar, assassinar, torturar, mentir, espionar, mais do que fez até o momento, para arrefecer o espírito de luta do povo colombiano, isolar e liquidar a guerrilha. A cada plano de contra-insurgência levado a cabo pelo governo narcotraficante de Uribe, a cada falsidade dissiminada pela mídia nazi-fascista das oligarquias e do imperialismo dos EEUU, mais e mais cresce a luta do povo, e nela as FARC-EP se destaca demonstrando maturidade, consciência, responsabilidade e capacidade para liderar todo o povo para uma nova Colômbia de paz, igualdade, justiça e a verdadeira independência voltada para atender as necessidades mais elementares da maioria do povo – operários, camponeses, indígenas, jovens, desempregados, despojados da terra, libertando-os da opressão, exploração, miséria e servidão neoliberal ao imperialismo.
Há esperança para a Colômbia, porque, mesmo ainda não estando no poder, as FARC-EP são uma força que determina a ação política do governo de Uribe e do imperialismo nos EEUU. E este fato, por um lado, faz com que o governo Uribe revele o conteúdo terrorista, criminoso, entreguista e servil aos EEUU, como demonstram bem os seus planos de contra insurgência fracassados, segundo a “nova doutrina de seguridade democrática”, imposta pelos EEUU, com base nas diretrizes do Comitê de Santa Fé, da CIA e Pentâgono. O Plano Colômbia, Plano Patriota e o Plano Vitória – une operação militares de guerra regular das Forças Armadas, com operações de guerra suja dos grupos paramilitares e narcotraficantes, e operações de polícia política, encoberta por uma legislação de criminalização dos movimentos e lideranças populares e as campanhas mentirosas da mídia nazi-fascista. Por outro lado, mostra a incapacidade moral, política e intelectual de Uribe proporcionar a paz na Colômbia e atender as demandas mais elementares da imensa maioria do povo, através de sua política horror econômico neoliberal, de privatização, desemprego, despojamento dos camponeses das suas terras, miséria e violência. Com isto o governo das oligarquias na Colômbia chegou ao impasse: como não pode derrotar a guerrilha das FARC, não pode também cumprir seu compromisso com os EEUU – implantar por inteiro o TLC e todas as reformas neoliberais – passando ao desgaste interno e externo.
Há esperança a nossa América, porque, o governo das oligarquias e do imperialismo, já não consegue enganar a opinião dos colombianos, dos países vizinhos, Venezuela, Argentina, Brasil, Equador, Nicarágua, que viram na derrama de milhões de dólares de Bush, para rearmamento do Exército colombiano, algo mais que o combate a guerrilha, mas o desequilíbrio armamentista e conquista de mais uma base militar na região, cujo objetivo e a preparação de uma grande intervenção militar, para se apoderar das reservas de petróleo, biodiversidade (Amazônia) e água potável (bacia do Prata), região geoestratégica (base de Alcântara na linha do equador, que reduz os custos de lançamento de foguetes), para sua estratégia geral militar de Guerra nas Estrelas ou Escudo Antimíssil, com que pretende impor sua hegemonia econômica e política mundial, frente a União Européia, Rússia e China. Além disso, a guerra bacteriológica, com a fumigação de glifosato nas plantações, supostamente de coca, substância cancerígina e nociva a biodiversidade da Amazônia, é um escandaloso crime contra o humanidade, bem como um elemento de provocação aos países que compõem a floresta amazônica, como Equador, Venezuela, Brasil.
Há esperança para Gran Colômbia, pois esta posição do governo colombiano já não esconde o papel de bastião dos EEUU, que visa mais uma vez ceifar a nova ascensão das forças de esquerda e revolucionárias no continente, na contra-tendência a sua estratégia geral de domínio mundial, econômico, político e militar, para superar a crise geral do sistema capitalista. Sem contar com esta região geoestratégica de nossa América para os EEUU, sua estratégia geral esta comprometida, pois não é possível combater em todas as partes do mundo, sem reservas estratégicas, de suprimento de combustível, grãos, água potável e possíveis bases de lançamento de foguetes. E neste contexto, a revolução bolivariana, o nacionalismo argentino, o governo anti-imperialista boliviano, equatoriano, e nicaraguense, somado a resistência revolucionária de Cuba, são fatores que impulsionam a unidade da América Latina, arrastando os governos vacilantes do Brasil, Chile, Uruguai, jogando por terra a geopolítica de poder dos EEUU.
Há esperança para o Mundo, pois a resistência heróica e avanço da guerrilha das FARC-EP, despertou a chama de unidade da América Latina, defendida por Cuba, impulsionando a revolução bolivariana a uma posição geopolítica estratégica no continente. Além disso, respaldou a liderança de Hugo Chávez, na mediação do processo de paz na Colômbia (Canje Humanitário – troca de prisioneiros políticos), sobrepondo-se à posição calhorda de Uribe – de impedir o acordo de paz e a liderança venezuelana no mesmo. As FARC, com a iniciativa de libertação unilateral de três prisioneiros de guerra, desmascararam Uribe, obrigando-o a ceder uma área dentro da Colômbia, liberada para a entrega dos prisioneiros de guerra, e a presença do Comandante Hugo Chávez e da Senadora Piedad Córdoba. Apesar das trapaças de Uribe, boicotando a desmilitarização de área adequada à concretização do acordo (Pradera e Florida), sequestrando o pequeno Emmanuel antes de sua entrega, roubando as provas de vida e captuarando seus portadores, deflagrando uma ofensiva midiática de enganos e mentiras, as FARC-EP, com este gesto, mais uma vez deram uma demonstração de genialidade política e estratégica, demonstrando à opinião pública internacional sua condição de força beligerante e do seu propósito de paz. E hoje, 10 de janeiro de 2008, concretizou a entrega de Clara Rojas e Consuelo Perdomo, dando seqüência à sua iniciativa, também unilateral, de libertação de 304 prisioneiros de guerra, soldados e policiais colombianos, há apenas alguns anos.
A comitiva que acompanha o presidente venezuelano se compôs de representantes oficiais dos governos de Cuba, Brasil, Argentina, Equador, Bolívia, Suíça e França. Nestas condições, mesmo que Uribe impeça o Canje Humanitário, já se formaram os elementos suficientes para exigir da ONU o reconhecimento das FARC-EP como força beligerante, aplicando a seus combatentes prisioneiros do governo colombiano e do governo dos EEUU, (Simón Trinidad e Sonia Rojas) os princípios da convenção de Genebra.
Há esperança para Humanidade, pois Cuba e Fidel Castro já não estão sós, com eles marcham o Comandante Hugo Chávez Frías e a Venezuela bolivariana, Evo Morales e a Bolívia do MAS e indígena, Rafael Correa e o Equador antiimperialista, Néstor Kirchner e a argentina nacionalista, e sem dúvida alguma, nestes mais de quarenta anos de resistência heróica e avanço revolucionário, o Comandante Manuel Marulanda Vélez e as FARC-EP fazeram valer as palavras de Che Guevara, em sua histórica mensagem a Tricontinental, em 1966, quando afirma que:
“(...) dadas sus características similares, la lucha en América adquirirá, en su momento, dimensiones continentales. Será escenario de muchas grandes batallas dadas por la humanidad para su liberación. En el marco de esa lucha de alcance continental, las que actualmente se sostienen en forma activa son sólo episodios, pero ya han dado los mártires que figurarán en la historia americana como entregando su cuota de sangre necesaria en esta última etapa de la lucha por la libertad plena del hombre. Allí figurarán los nombres del comandante Turcios Lima, del cura Camilo Torres, del comandante Fabricio Ojeda, de los comandantes Lobatón y Luis de la Puente Uceda, figuras principalísimas en los movimientos revolucionarios de Guatemala, Colombia, Venezuela y Perú. Pero la movilización activa del pueblo crea sus nuevos dirigentes: César Montes y Yon Sosa levantan la bandera en Guatemala, Fabio Vázquez y Marulanda lo hacen en Colombia, Douglas Bravo en el occidente del país y Américo Martín en El Bachiller, dirigen sus respectivos frentes en Venezuela.”
Se há esperança para povo colombiano, para a Colômbia, para Gran Colômbia, para nossa América e para a humanidade, estão presentes nesta luta os ideais e exemplo de Simón Bolívar, José Martí, Che Guevara. E nestes termos o Capítulo Brasil da Coordenadora Continenal Bolivariana declara todo seu apoio e solidariedade a luta do povo colombiano e as FARC-EP, seu estado maior e comandante máximo Manuel Marulanda, ao Canje Humanitário, ao Acordo de Paz, ao Reconhecimento das FARC-EP como força beligerante, ante a ONU e a Convenção de Genebra! Conclama todas aos organizações, movimentos e partidos revolucionários a não medir esforços e aprofundarem esta solidariedade e apoio até as últimas consequências, até a vitória final!
Viva a Luta do Povo Colombiano!
Viva as FARC-EP!
Viva os ideais de Bolívar da Gran Colômbia!
Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 2008





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