Moderna servidão

Cordel de Antonio Queiroz de França.

A sociedade de classes

E seu desenvolvimento

Nascem da contradição

Que é seu grande sustento.

Para senhores, progresso

Para escravos, retrocesso

E muito mais sofrimento.

 

Surgiu o capitalismo,

Com moderna servidão.

Propriedade privada

Dos meios de produção,

Continua a moda antiga.

Ó, meu amigo, ou amiga:

Pra pobre, não mudou não!

 

Mudaram as relações,

E continua o eufemismo.

No escravismo, escravo

É servo, no feudalismo.

O senhor hoje é patrão,

E o operário, ou o peão,

Ora sofre o servilismo.

 

Ao homem que só tem prole,

Dão o nome proletário.

O homem trabalhador,

Chamam também operário

“O dono da produção”

(Quem faz apropriação)

Chamam é de empresário.

 

Os traços característicos

Do modo capitalista:

Produzir mercadorias

Pra mercados em conquista.

Trabalho, se compra e vende,

Quem não quer morrer se prende

À situação egoísta...

 

É também o monopólio

Dos meios de produção

Outra característica

Da atual situação.

Lucro é só o objetivo,

Não o bem-estar coletivo,

Não a distribuição.

 

É o princípio do lucro

A famosa “mais-valia”.

O que enriquece o patrão,

Mesa de pobre esvazia.

Ou inverte-se a ação,

Ou vamos à extinção,

Causada por covardia.

 

Na economia burguesa,

Empresário tudo tem.

Só que o herói, o operário,

Na miséria se mantém.

O patrão diz que enricou

Porque Jesus o ajudou.

Ele mente muito bem.

 

No Estado Capitalista,

Dos donos do capital,

Não se iludam, camaradas,

Para pobre só tem pau.

Não queiram fazer “baderna”,

Prefiram a vida eterna!

Céu é pra gente legal...

 

A humanização do homem

É nossa tarefa urgente,

Transformar essa cultura

Da juventude doente.

Ensiná-la a pensar,

E à espécie preservar,

Usando melhor a mente.

 

Do sonhado comunismo,

A sua definição:

É a política econômica

Para distribuição

Das riquezas produzidas

Pra promover dignas vidas

De toda a população.

 

É causa de vida ou morte,

Além de ideologia,

Todos lutarmos por isso,

Mudando a economia,

Porque, na realidade,

Como anda a humanidade,

Do fim, está perto o dia.

 

Antonio Queiroz de França