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20 anos

Declaração Política dos 20 anos do Jornal Inverta, 19 do Granma Internacional, 7 da Prensa Latina e 4 do Movimento Continental Bolivariano, no Brasil

 

Mesa de Abertura

 

 

Os vinte anos de existência do Jornal Inverta, dezenove do Granma Internacional, sete da Prensa Latina e quatro do Movimento Continental Bolivariano, no Brasil, são capítulos a serem destacados na história da imprensa comunista no Brasil, não só pela duração dos fatos mas pela resistência dos trabalhadores responsáveis por esses projetos, apesar de todas as dificuldades e das ações daqueles que a serviço das oligarquias procuraram tolher os passos
dessa iniciativa.

Que lições podemos tirar dessa trajetória no processo revolucionário em nossos países e em Nossa América? O momento exige um olhar distanciado, mas ao mesmo tempo pleno de ardor que sempre acompanha os revolucionários. A distância é o esforço apenas para ver melhor, mas à medida que nos distanciamos e fazemos o caminho de volta, temos a realidade com seu dinamismo incessante a exigir reelaboração e criatividade, novo ponto de partida. E a grande estrada é o jornal. O jornal é o intelectual e o organizador coletivo, chega onde o militante não pode chegar e é voz que fala em nome do coletivo, dando a ação de cada um o caráter de ação do Partido, como já afirmamos em outra ocasião:

“O Jornal INVERTA deve ser propagandista e organizador coletivo do Partido, sua leitura deve ser incentivada em todo círculo militante. É através dele que nossa organização se debruça sobre os problemas mais palpitantes da conjuntura e indica o sentido da ação. É fundamental que o Jornal tenha caráter nacional para que se crie uma unidade de esforços na luta revolucionária. As tarefas de construção, leitura e a criação de uma rede de distribuição do Jornal fomentam sua organização própria e, junto dela, a organização subjetiva dos trabalhadores”(1).

Desde seu surgimento, o jornal Inverta tem clareza da complexidade dessas tarefas e tem reafirmado: “... sem este esforço teórico é impossível uma intervenção na luta de classes, no plano nacional e internacional, de modo consequente, seja atuando diretamente e/ou indicando os objetivos imediatos ou futuros para a classe operária e trabalhadores em geral, em consequência, o caminho ou plano de organização e lutas que se deve seguir para conquistar os objetivos derivados logicamente da análise a priori, com as efetivas variações que resultam da mediação da práxis. Para quem acompanha o Jornal INVERTA, ao longo de suas duas décadas de existência teórica e organizativa não se surpreende com o aparecimento de análises de último momento, que apontam como novidade o nexo entre a realidade histórica atual da luta de classes no plano nacional e internacional; a crise do capital, já (in)escamoteável, apesar de todas as tergiversações quanto à sua abrangência e conteúdo - dimensão, profundidade e significado; e, finalmente, as transformações na ciência e técnica que emergiram no último quartel do século XX e primeira década do século XXI, aparentando concluir a terceira fase da revolução industrial do capitalismo, ainda iniciada no século 18.” (2)

O Inverta nasceu quando a ofensiva contrarrevolucionária dos anos 80 chegou ao auge desagregando a União Soviética, afirmando o caudal de teses reacionárias de fim da história, fim das classes sociais e eternização do modo de produção capitalista. E o Inverta pode comemorar o fato dessas teses e dessas políticas estarem hoje na defensiva e desmoralizadas em todos os círculos honestos e dignos, fazendo com que as oligarquias se retorçam em malabarismos para prosseguir na tentativa de manter sua dominação. O nosso modesto esforço somado aos esforços da classe operária internacional e seus aliados fizeram efetivamente o neoliberalismo recuar, hoje a desmoralização desta teoria é um fato.

Não estivemos sozinhos nesses vinte anos, a reimpressão do Granma Internacional desde 1992 e o acordo com a Prensa Latina em 2004 são os outros pilares de nossa contribuição na “‘batalha das ideias’ lançada pelo comandante Fidel Castro, para definir o terreno principal em que se desenvolveria a luta revolucionária nos anos 90, tendo em vista o avanço da contrarrevolução neoliberal do imperialismo”. Fundados por Fidel e Che Guevara, o Granma (em 4 de outubro de 1965), seu resumo, o Granma Internacional (em 1966) e a Prensa Latina com a colaboração de Jorge Massetti (em 1959) estiveram desde o início da Revolução Cubana na luta contra os monopólios da informação.

Frente à complexidade das tarefas revolucionárias a serem realizadas, esta contribuição embora modesta é motivo de júbilo para todos os trabalhadores que contribuem com este projeto. A derrota da contrarrevolução neoliberal do imperialismo eleva o moral dos trabalhadores neste momento histórico e os fortalece para as novas batalhas e superação dos novos desafios.

O Jornal chega aos vinte anos em meio a uma das mais graves crises do capitalismo; devemos reconhecer que o Inverta antecipou o retorno das crises, quando praticamente todos as negavam ou as chamavam de meras turbulências. Mas isso não significa que o quadro seja menos complexo e que confusas teorias não tenham espaço.

A passagem de crise econômica à crise de política econômica e o esgotamento dos paradigmas neoliberal e neokeynesiano têm levado o imperialismo a mudar de estratégia, que agora volta a conjugar ação externa (bombardeios da OTAN, espionagem, mentiras midiáticas) e apoio a pretensos rebeldes internos que vão assegurar governos títeres no mundo muçulmano, como afirma o recente editorial de Inverta:

“Deste modo, a “Perestroica Muçulmana” não passa de um pacto de recolonização, que aprofundará a penúria do povo, pois seu objetivo é a usurpação do petróleo da região ao menor custo possível em relação ao estado e garantias exigidas pelo capital (formação, sujeição e organização da força de trabalho e segurança dos lucros).”

Em cada lugar que o imperialismo procura sufocar a luta dos povos, o nosso grito de denúncia e solidariedade se fez e se faz presente em nossas páginas, pela libertação de todos os prisioneiros do império e punição para os crimes cometidos contra os povos e a humanidade, que a Verdade se sobreponha às tentativas de esconder os crimes realizados pelas oligarquias e seus aliados.

A crise capitalista se agrava e se manifesta na bancarrota anunciada de países que adotaram o receituário dos banqueiros. A crise da composição do valor é seu lado menos visível, mas fundamental para compreendermos o desastre que se aprofunda em cada crise, por um lado o avanço técnico que é o aprofundamento da chamada revolução informacional e, por outro, o esgotamento das fontes naturais de matéria-prima e fontes energéticas, entre elas, água, petróleo e florestas.

A conjuntura, a teia de relações econômicas, sociais e políticas do momento histórico atual e seus momentos anteriores é complexa e exige que a reflexão vá alem da relação causal e situe o problema no pensamento elíptico ou dialético:

“A elipticidade do raciocínio que argumenta a questão central que explica a cena histórica atual e arrisca uma predição sobre a tendência futura, não enquadra o papel do Brasil e Nossa América no contexto apenas pelo que se apresenta na aparência das coisas: a guerra pelo petróleo, visando redução de custos e aumento da acumulação sobre a tendência decrescente da taxa de lucros. Argumenta também o porquê antes da passagem do teatro de operações do imperialismo do Oriente Médio e Norte da África para a América Latina, ele não tenderá a se aventurar na Europa Oriental ou Ásia, centrado justamente na relação custo benefício de tal processo. O argumento é forte, pois se fundamenta no déficit comercial e elevação da dívida soberana das economias avançadas, além do risco nuclear pulverizar não apenas o inimigo, mas a humanidade e o próprio capital. Nestes termos, para o imperialismo a escolha do inimigo deve ser contrapesada, e nestas circunstâncias em que se une ao processo de crise do capital uma estratégia geopolítica de superação de guerra e recolonização, nada melhor que pegar a fruta madurando no pé. Eis porque a tendência do círculo de fogo se fechar sobre a América Latina, e particularmente o Brasil é cada vez mais real e concreta, na medida em que se agrava a crise (e se agravará), e o impasse se instaurar nas regiões ora em conflito (o que acontecerá). Neste momento todo o sucesso econômico do país, necessitará mais que ufanismo e demagogia, ou quixotismo, necessitará unidade, organização e espírito de soberania, independência e luta de resistência: é a revolução social!” (3)

No plano imediato, os comitês de luta contra o neoliberalismo têm ampliado sua ação em diversas regiões do país e têm no seu horizonte a luta em defesa do emprego, pelo desenvolvimento econômico através de obras de infraestrutura básica como, escolas, hospitais, saneamento, pela segurança alimentar, pela manutenção dos setores estratégicos (pré-sal, petróleo, energia elétrica, telecomunicações, transporte público), pela defesa das reservas de água e biodiversidade, pelo avanço da integração econômica, política e militar com os demais países da América Latina, África e Ásia. A luta e a formação são os caminhos para a passagem da classe em si à classe para si, constituindo os comitês de luta contra o neoliberalismo como embrião do poder popular e revolucionário.

A tática é simples, e aparentemente mecânica, mas ao incidir no movimento mais complexo, elíptico ou dialético, ela pode se conjugar dialeticamente com a estratégia e pode tirar de órbita o capitalismo, arremetendo-o para o seu lugar na história pela revolução social.

Viva o VII Seminário Internacional de Luta contra o Neoliberalismo!

Viva o guerrilheiro heróico há 44 anos de sua queda em combate!

Viva os 20 anos do Jornal Inverta! 19 do Granma Internacional! 7 anos da Prensa Latina! 4 do Movimento Continental Bolivariano!

Pela Libertação dos Prisioneiros do Império! Pela Libertação dos 5 Heróis Cubanos! Pelo Asilo Político ao Cantor, Poeta e Comandante Revolucionário das FARC-EP Julian Conrado!

Viva a Resistência do Povo Líbio e seu dirigente máximo Muamar Kadhafi!

 

Partido Comunista Marxista-Leninista – Brasil Movimento Nacional de Luta contra o Neoliberalismo Juventude 5 de Julho Jornal INVERTA Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais – CEPPES Centro Cultural Casa das Américas – Núcleo Nova Friburgo 09h Credenciamento 13h Almoço Cultural de Adesão Orquestra da AMA/ABC, Marília Bevilaqua

 

Notas

1 Da Organização Coletiva e do Seminário Internacional de Luta contra o Neoliberalismo, declaração do VI Seminário, setembro de 2010. 2 P. I. Bvilla, Editorial A Crise, a Revolução e a Contrarrevolução, Inverta no 453, 03/09 a 01/10/2011. 3 Ibidem.

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